MPT-CE debate ODS, protagonismo juvenil e políticas públicas em seminário virtual
Encontro reuniu representantes dos movimentos ODS do Ceará, Minas Gerais, São Paulo e Roraima, além de adolescentes da Rede Peteca
O Ministério Público do Trabalho no Ceará (MPT-CE), por meio da Rede Peteca, promoveu, na última quinta-feira (19), uma live dedicada ao letramento sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), com ênfase no impacto da Agenda 2030 no cotidiano, nas práticas escolares e na gestão pública. O encontro reuniu representantes dos movimentos ODS do Ceará, Minas Gerais, São Paulo e Roraima, além de adolescentes atuantes em espaços de participação social, e destacou a necessidade de transformar conhecimento em ações concretas nos territórios.
Na abertura, o procurador do Trabalho e coordenador da Rede Peteca, Antonio de Oliveira Lima, destacou que a proposta da atividade ia além da apresentação dos conceitos dos ODS. Segundo ele, o objetivo era promover uma reflexão sobre a forma como impactam a vida das pessoas, materializam-se nas políticas públicas e identificam-se nas ações desenvolvidas por entidades, órgãos e municípios, contribuindo para sua efetivação no cotidiano.
O protagonismo juvenil esteve no centro do debate desde o início. A adolescente Giselle Guedes, participante do Conselho Estadual de Direito da Criança e do Adolescente do Ceará (CEDCA/CE), falou sobre o ODS 10, voltado à redução das desigualdades. Em sua explanação, ela afirmou que a desigualdade ultrapassa a dimensão econômica, alcançando outros marcadores, como o de gênero, de território e de discriminação social. Giselle ainda defendeu o papel da escola na formação cidadã, ressaltando que a educação deve transpor a prática conteudista, contribuindo para o letramento e a convivência coletiva.
Na sequência, Nina Orlow, coordenadora do Movimento Nacional ODS em São Paulo e integrante da Comissão Nacional pelos ODS, apresentou um panorama geral da Agenda 2030. Ela destacou que os objetivos precisam ser compreendidos de forma integrada e lembrou que o Brasil passou a incorporar também o ODS 18, voltado à igualdade étnico-racial. Segundo Nina, os ODS funcionam como instrumentos de planejamento, monitoramento e articulação entre diferentes áreas da gestão pública. “Os ODS são instrumentos para direcionar políticas e ações. Quando as políticas se baseiam neles, há metas e indicadores que ajudam a avaliar se estamos no caminho certo. Isso favorece uma abordagem integrada”, declarou.
A estudante Sophia Amâncio, do município cearense de Saboeiro, abordou o ODS 4, relacionado à educação de qualidade. Ela afirmou que o debate não se limita ao acesso à escola, mas inclui permanência, formação humana e transformação social. Ao relatar sua trajetória, destacou que a escola e os professores tiveram papel decisivo em seu processo desenvolvimento. Sophia lembrou uma ideia de Paulo Freire, segundo a qual a educação transforma pessoas, e são elas que transformam o mundo.
Representando o Maranhão, a jovem Rayssa Dias tratou do ODS 16, que engloba paz, justiça e instituições eficazes. Ela defendeu a importância das metas globais como referências concretas para a efetivação dos direitos humanos e afirmou que instituições públicas, mesmo com limitações, podem transformar vidas quando conseguem materializar direitos por meio de políticas públicas. Entre os exemplos citados, destacou o impacto da escola pública e do Sistema Único de Saúde (SUS).
Em seguida, Gleyce Moraes compartilhou a experiência do movimento ODS em Roraima. Ela relatou que no estado há forte presença indígena e desenvolve ações voltadas à institucionalização da Agenda 2030. Em razão das oscilações técnicas, parte da apresentação foi complementada por Andrea Leocádio, coordenadora do movimento ODS no Ceará, que destacou iniciativas relacionadas ao ODS 18, à educação, ao reaproveitamento de resíduos e à articulação entre sociedade civil, setor empresarial e poder público.
Ao apresentar a experiência cearense, Andrea Leocádio afirmou que a Agenda 2030 vem sendo incorporada de forma gradual nas políticas públicas e nas ações da sociedade civil. Ela mencionou a adesão de Fortaleza ao pacto “Meu Município pelos ODS”, a realização da conferência estadual e a construção de novas estratégias para monitorar indicadores, valorizar boas práticas e ampliar a participação das escolas. Andrea também citou exemplos de iniciativas com impacto social e ambiental, como a atuação da Remes, voltada à geração de renda com reaproveitamento de materiais, e da Transforme Coworking, que desenvolve ações ligadas à sustentabilidade, economia circular e gestão de resíduos.
Outro ponto enfatizado por Andrea foi o papel das escolas como espaços estratégicos para a vivência dos ODS. Segundo ela, ações práticas como hortas escolares, uso consciente da água e da energia, combate ao preconceito, laboratório de soluções e produção de conteúdos por estudantes ajudam a transformar os objetivos em experiências concretas de formação cidadã.
Na apresentação sobre Minas Gerais, Frederico Quintão relacionou a Agenda 2030 ao fortalecimento territorial, à economia criativa e à articulação em rede. Ele explicou que o movimento estadual trabalha a agenda a partir dos cinco “Ps” (pessoas, planeta, prosperidade, paz e parcerias) e destacou o papel das adesões municipais, dos eventos regionais e da valorização dos talentos locais. Para Frederico, “ninguém é sustentável sozinho”, razão pela qual a cooperação entre instituições, comunidades e governos é indispensável.
Ao retomar a palavra para apresentar o caso paulista, Nina Orlow destacou a escala do desafio em São Paulo e o trabalho desenvolvido pelos núcleos regionais do movimento. Ela chamou atenção para a importância dos indicadores territorializados e afirmou que as médias podem ocultar desigualdades profundas entre regiões de uma mesma cidade. Também citou ações ligadas à coleta seletiva, compostagem, hortas comunitárias, saúde pública e mobilização social, reforçando que os ODS precisam ser vistos como agenda prática, e não apenas simbólica.
No encerramento, os participantes concordaram em um ponto central: mobilização, formação e conscientização são etapas importantes, mas precisam resultar em ação. Ao final da live, o procurador do Trabalho Antonio de Oliveira sintetizou esse entendimento ao afirmar que as iniciativas de informação e capacitação só se completam quando geram transformação concreta. Para ele, a agenda dos ODS precisa acontecer nos municípios, nas escolas, nas instituições e nos espaços de participação social.
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